Governador Carlos Brandão nega envolvimento em organização criminosa investigada pela PF no Maranhão
- 15/08/2026

Brandão se pronuncia após investigação da Polícia Federal O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), negou neste sábado (15) qualquer envolvimento com uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal (PF) no estado. A manifestação ocorre após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornar públicas, na sexta-feira (14), três decisões relacionadas às investigações. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp As apurações envolvem suspeitas de desvio de recursos públicos, irregularidades em contratos, obstrução da Justiça e um homicídio ocorrido em 2022. Brandão afirmou que não teve participação em crimes e disse considerar as suspeitas uma tentativa de atingir sua imagem em período eleitoral. “Eu não tenho nenhum envolvimento com crime, com corrupção, isso não existe. Isso é coisa factóide de época de eleição”, afirmou o governador. Governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB) Reprodução/ TV Mirante Brandão também citou a própria trajetória política e afirmou que, antes de chegar ao governo, exerceu cargos de secretário de Estado, deputado federal e vice-governador. Segundo ele, suas contas durante a passagem pelo serviço público foram analisadas pelos órgãos responsáveis. O governador disse ainda que não conhece todo o conteúdo da investigação e afirmou não ver fundamento nas suspeitas levantadas contra ele. Na sexta-feira (14), a assessoria do governador também questionou a competência do STF para analisar fatos relacionados a autoridades estaduais e criticou a atuação de Flávio Dino no caso. Brandão sustenta que autoridades com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) devem ter as investigações encaminhadas àquela corte. A assessoria de Flávio Dino afirmou que o ministro não participa de debates políticos desde fevereiro de 2024, quando assumiu o cargo no STF, e que atua apenas nos processos distribuídos a ele conforme as regras do tribunal. Caso começou após assassinato de empresário Parte das investigações está relacionada ao assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, em São Luís, em agosto de 2022. O episódio ficou conhecido como caso Tech Office. Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior foi apontado como executor do crime e condenado pela Justiça maranhense a 13 anos de prisão. A investigação avançou para apurar se o homicídio poderia ter relação com uma suposta cobrança de propina envolvendo contratos públicos. Segundo a Polícia Federal, as apurações passaram a indicar possíveis conexões entre o assassinato e um esquema de desvio de recursos públicos. Entre os nomes citados na investigação está Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador. A PF também investiga Carlos Brandão sob suspeita de liderar uma organização relacionada ao caso. O governador nega qualquer envolvimento. Brandão afirmou que considerava o caso encerrado após a condenação do autor do homicídio e disse estranhar que a investigação volte a atingir integrantes de sua família às vésperas das eleições. “Esse caso, ele já foi julgado, o réu confessou o crime, ele foi julgado e condenado a 13 anos de cadeia. Então, para mim, era um caso que já tinha sido encerrado, porque ele confessou o crime. E em nenhum momento envolve qualquer pessoa da minha família”, afirmou. Leia tambem: Dino retira sigilo de decisões em inquérito que investiga a existência de suposta organização criminosa em órgãos públicos do Maranhão Conexão no STJ: STF investiga se senador Weverton Rocha atuou para blindar homicídio no Maranhão; PF vê 'ecossistema' criminoso no estado Investigação chegou ao STF Antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal, o caso tramitava no Superior Tribunal de Justiça. Em novembro de 2025, a investigação foi encaminhada ao STF após surgirem suspeitas envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que tem foro por prerrogativa de função no Supremo. A Polícia Federal analisou dados do celular de Weverton, apreendido em outra investigação, e identificou contatos entre o senador e o ministro do STJ Humberto Martins. Segundo a PF, houve mensagens, ligações e outros contatos entre os dois entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. A investigação destacou uma troca de mensagens e uma ligação de cerca de cinco minutos em 2 de junho de 2025. Na mesma data, Humberto Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, para Brasília. A PF apura se Weverton tentou interferir no andamento das investigações. O senador nega irregularidades e classificou como “forçação de barra” relacionar os contatos com Humberto Martins às decisões tomadas no processo. Humberto Martins não é formalmente investigado. Procurado sobre o caso, o ministro informou que não se manifestaria e disse que os autos foram encaminhados ao STF. Ex-secretário é investigado por suspeita de coação Outro investigado é o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim. Em julho, Flávio Dino determinou a prisão domiciliar preventiva dele no âmbito da investigação. Segundo a Polícia Federal, Cutrim é suspeito de tentar fazer familiares de Gilbson alterarem depoimentos prestados durante a investigação do assassinato. Ele está em prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica. A defesa de Raimundo Cutrim informou que não teve acesso integral aos autos e nega irregularidades. O que diz Daniel Brandão Daniel Brandão negou participação em qualquer negociação envolvendo pagamento de propina ou vantagem indevida. O presidente do TCE-MA afirmou que as acusações são falsas e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimento
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